
A oração é uma das práticas mais simples e significativas para viver a espiritualidade franciscana no dia a dia. É um meio de comunicação direta com Deus, permitindo-nos abrir o coração e convidá-Lo a participar de nossas vidas. A oração também é uma forma de imitar Cristo, que se entregou por amor a Deus e à humanidade, além de seguir o exemplo de São Francisco de Assis, cuja devoção ao mistério da encarnação e ao Cristo crucificado era profunda.
A oração franciscana é uma comunhão com Deus, um diálogo íntimo e pessoal entre nosso espírito e o Espírito Santo. Não é um monólogo, mas um diálogo onde falamos e ouvimos Deus, expressando nossos sentimentos, desejos, necessidades e agradecimentos. A oração é um privilégio, uma graça concedida por Deus para nos aproximar Dele e participar de Sua obra.
Rezar com o coração não exige palavras bonitas ou repetitivas, mas sinceridade e confiança. Podemos orar em qualquer lugar e momento, mas é benéfico reservar um tempo e espaço específicos para a oração, onde possamos estar em silêncio e sem distrações. Podemos usar nossas próprias palavras ou recorrer às Escrituras, salmos, orações da Igreja ou dos santos. O essencial é que a oração seja autêntica e pessoal, refletindo nossa relação com Deus.
São Francisco de Assis: São Francisco tinha uma profunda intimidade com Deus e sensibilidade à Sua presença em toda a criação. Ele rezava com fervor e simplicidade, louvando a Deus por todas as criaturas, pedindo perdão pelos pecados, intercedendo pelos outros e contemplando o mistério do Verbo encarnado e do Cristo crucificado. Ele nos ensina que a oração é um caminho de conversão, amor e paz.
Santa Clara de Assis: Santa Clara, uma das primeiras seguidoras de São Francisco e fundadora da Ordem das Clarissas, tinha grande devoção pela Eucaristia, que ela chamava de "espelho da alma". Ela passava horas em adoração ao Santíssimo Sacramento, recebendo força e consolação. Santa Clara nos ensina que a oração é um encontro com Cristo vivo, que nos alimenta e transforma.
O Cântico das Criaturas, composto por São Francisco no final de sua vida, louva a Deus por todas as Suas obras maravilhosas. Reconhecendo Deus como a fonte de toda bondade e beleza, o cântico expressa a fraternidade universal entre todas as criaturas, chamadas a viver em harmonia e gratidão. O cântico conclui com uma invocação à morte como irmã, que nos conduz à plenitude da vida em Deus.
Texto do Cântico das Criaturas:
Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
Teus são o louvor, a glória, a honra
E toda a bênção.
A ti só, Altíssimo, se convêm,
E nenhum homem é digno
De te mencionar.
Louvado sejas, meu Senhor,
Com todas as tuas criaturas,
Especialmente o senhor irmão sol,
Que clareia o dia
E com sua luz nos alumia.
E ele é belo e radiante
Com grande esplendor:
De ti, Altíssimo, nos traz o sinal.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã lua e as estrelas,
Que no céu formaste as claras
E preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão vento
E pelo ar, e pela nuvem,
E pelo sereno, e por todo o tempo,
Pelo qual às tuas criaturas dás sustento.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã água,
Que é muito útil e humilde
E preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão fogo
Pelo qual iluminas a noite.
E ele é belo e jucundo
E vigoroso e forte.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe terra,
Que nos sustenta e governa
E produz diversos frutos
Com coloridas flores e ervas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelos que perdoam por teu amor
E suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados os que as sustentam em paz,
Que por ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a morte corporal,
Da qual nenhum homem vivente pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
Conformes à tua santíssima vontade,
Porque a morte segunda não lhes fará mal.
Louvai e bendizei ao meu Senhor
E dai-lhe graças
E servi-o com grande humildade.